quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Medo


Às vezes fico me perguntando por que tenho tanto medo, que medo é esse que nos faz ficarmos tão apreensivos? Se não sabemos o que é, porque temos medo? Essa é uma das perguntas que fica no meu subconsciente e que me dá medo.

O escuro me dá medo, como a luz do dia me traz o medo, medo da violência que assombra as grandes e pequenas cidades, não estou protegido mesmo morando no interior, mesmo sendo caipira e tendo orgulho deste “rótulo” não estou livre dessa temida violência. O trabalho me dá medo, não sei por que, talvez seja por que as pessoas nos assombram todos os dias para esconder o medo delas, mas assim vou vivendo, aprendendo e tentando a perder o medo.

O novo também me traz medo, medo do que eu não conheço ou talvez desconheça que realmente seja o medo, sinceramente, o medo se completa com a coragem, o medo às vezes nos faz virar corajosos e mesmo com o pé a traz, dou um passo a frente e finjo não ter medo. Quero sempre ter medo para não conhecê-lo, pois se conhecer talvez não tenha mais, mas a dúvida tem que continuar e com isso nos livrar da coragem dos covardes, dos sem noção, afinal esta é a minha e a sua nação, que freqüentemente nos traz medo.

São tantas notícias negativas que o medo bate a toda hora, estamos nos prendendo dentro dos nossos lares e todo esse medo é passado para nossos filhos e assim o medo não acaba e prolonga sua existência na mente e no rugir dos dentes. Ouço sussurros, olho para todos os lados e uma bala perdida me encontra, caio, ouço mais sussurros, a minha visão embaraça, perco minhas forças e adormeço, nessa guerra de interesses próprios o medo não aparece e quem sofre sou eu, é você, somos todos nós.

O socorro não chega... quem dera se chegasse, talvez perdesse o medo, mas estou aqui deitado aguardando um anjo me resgatar e com suas asas me levar, mas os anjos também estão com medo, porque o último que veio ajudar, um ser roubou as penas de suas asas, pois o ladrão disse que era para fazer o seu travesseiro, esse sonho poderia acabar, mas não acaba e se repete todos os dias e nós estamos com medo e assim vamos vivendo e convivendo com o medo e com a coragem da vida que nos mostra as idas e não as voltas de toda essa insanidade.

A música toca e se faz “poema”, letra maravilhosa de Frejat e Cazuza interpretada por Ney Matogrosso que canta e encanta, falando e interpretando o “medo”.

“Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás”

E assim o medo prevalece na coragem de um ser humano que tem medo do que ainda estar por vir ou acontecer.

2 comentários:

Panacea disse...

Gui, como sempre, ótimo texto! O MEDO... sensação desconfortante, mas necessária, que delimita e baliza. Mas, sem medo de ser feliz! Grande abraço!

Sil disse...

Olá Gui Venturini,cheguei aqui no seu espaço por curiosidade e através do blog do meu amigo Haroldo, e me surpreendi positivamente com alguns de seus textos . Mas; quando li este, nossa; rolou uma identificação com a emoção do medo, pois;O TENHO em muitas das circunstâncias por você citadas.
...mas ;também estou aprendendo que o medo é uma reação natural e que se soubermos usar em nosso favor pode ser muito util na evolução da coragem!E também que na verdade o medo nos atrae quando significa algo novo que não conhecemos; pois é mistério.
Apareça lá no meu espaço se chama Mundo Pequeno. Muito prazer sou a Silvia.

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